Cia. Estrela D’Alva estreia “Urucum

Celebrando 20 Anos de História

Nos dias 20 e 21 de março de 2026, a Cia. Estrela D’Alva de Teatro, conhecida por sua dedicação e inovação no teatro, marcará duas décadas de trajetória com a estreia do espetáculo “Urucum – As Árvores Não Têm Culpa”, que acontecerá no Sesc Santo André. Este evento não só simboliza um marco de comemoração, mas também uma oportunidade de reflexão e celebração das histórias e das vozes que compõem a narrativa feminina.

Os ingressos para as apresentações, que ocorrerão na sexta-feira às 20h e no sábados às 19h, estão disponíveis a partir de R$ 15 e podem ser adquiridos tanto nas bilheteiras quanto online, através do site do Sesc SP.

Além disso, todas as sessões contarão com um Programa de Previsibilidade, voltado para pessoas neurodivergentes, bem como tradução em Libras, promovendo a acessibilidade e inclusão de todos no ambiente teatral.

Urucum – As Árvores Não Têm Culpa

A Dramaturgia por Lígia Helena

A peça “Urucum” é baseada na obra da dramaturga Lígia Helena de Almeida, lançada em 2024 pela Editora Me Parió Revolução. A escrita resulta de uma profunda pesquisa autoetnográfica, onde a autora revisita memórias de suas antepassadas, explorando as histórias da bisavó, da avó e da mãe, entrelaçando-as com sua própria vivência.

Esta dramaturgia revela como experiências íntimas se entrelaçam com fenômenos sociais maiores, abordando temas como colonização, migração, violentos ciclos de opressão, e as complexidades do ser mulher em diferentes épocas. As atuações no palco introduzem o público a uma travessia emocional e visceral, onde cada personagem expressa uma luta única por liberdade e voz.

Uma Experiência Teatral Impactante

Com um enredo que leva a audiência a refletir sobre a necessidade de rompimento com padrões opressivos, “Urucum” apresenta a jornada de uma jovem que busca sua identidade fora dos relatos pré-estabelecidos. “Ela precisa sair”, um desejo de transgressão que reverbera em sua busca por liberdade. A empatia do público é estimulada ao acompanhar o desvendamento de angústias e questionamentos que muitas mulheres enfrentam ao longo das gerações.

A própria Lígia se dividiu entre as diversas camadas de sua narrativa durante a encenação, atuando como atriz, narradora, filha e ancestral, criando uma conexão profunda entre passado e presente.

O Papel das Mulheres na Narrativa

As figuras femininas de “Urucum” são centrais e representam os diferentes desafios enfrentados por mulheres ao longo dos séculos. A bisavó indígena no século XIX, a avó nordestina que viveu casamentos precoces e os desafios da migração, e a mãe que concilia trabalho e silenciamento promovem um rico mosaico das vivências femininas.

No palco, a performance é uma celebração e uma crítica, traçando paralelos entre as experiências de cada uma dessas mulheres e as realidades contemporâneas enfrentadas pela geração atual, que luta por voz e autonomia.

Colonização e Ancestralidade em Cena

Um dos aspectos mais impressionantes de “Urucum” reside na forma como aborda a ancestralidade e as marcas da colonização. O espetáculo não é apenas uma narrativa individual, mas um retrato coletivo das seguidas violências que impregnam a história feminina. Através da imaginação de Lígia, essas vozes são reerguidas, dando visibilidade às dores e conquistas das mulheres de seu passado.



A forma como cada camada ancestral é apresentada é vital, pois permite que o público perceba a continuidade das lutas e esperanças passadas, ao mesmo tempo que lança um olhar crítico sobre a realidade que essas mulheres ainda enfrentam.

Consultoria e Direção Artística

A curadoria e a orientação da dramaturgia ficaram a cargo da renomada dramaturga Adélia Nicolete. Sua contribuição foi fundamental para conectar as palavras com a imagem e o movimento cênico. O trabalho de Patrícia Gifford na direção de atuação e Janette Santiago na dramaturgia do movimento também foram cruciais para moldar a narrativa e dar vida às emoções de cada personagem.

Essas dinâmicas criativas ampliam a profundidade do espetáculo, levando o público a um estado reflexivo que ultrapassa o mero entretenimento.

A Música como Parte da Encenação

A música desempenha um papel essencial na estruturação de “Urucum”. Com composições ao vivo, a trilha sonora é feita por Camila Ruiz de Paula (piano e violão), Michelle Lomba (percussões) e a participação especial de Vitória Lima (violino). Esta inclusão de elementos musicais não apenas enriquece a experiência sensorial, mas também ajuda a realçar as emoções portrayadas na peça.

A harmonia e as sonoridades, cuidadosamente escolhidas, ampliam as fronteiras da narrativa e intensificam o impacto emocional da apresentação.

Acessibilidade e Inclusão no Teatro

O compromisso da Cia. Estrela D’Alva com a inclusão se faz evidente ao oferecer acessibilidade física e um programa de previsibilidade. Todas as sessões de “Urucum” terão traduzentes em Libras, garantindo que o espetáculo possa ser apreciado por todos os públicos, incluindo aqueles que fazem parte da comunidade surda.

Esta abordagem de acessibilidade não apenas democratiza o acesso à cultura, mas também promove um ambiente onde as histórias de diferentes experiências podem ser compartilhadas e celebradas.

Oficinas de Escrita para Mulheres

Antes da estreia do espetáculo, “Urucum” foi precedido por um lançamento em formato de livro físico e audiobook, além de envolver-se em uma série de oficinas voltadas para mulheres, realizadas desde 2023 em Santo André. As oficinas de escrita promovem espaços de memória, escuta sensível e troca de narrativas, permitindo que outras vozes femininas ganhem visibilidade.

Essas iniciativas enriqueceram ainda mais o contexto em que a peça foi criada, estimulando um diálogo contínuo sobre as experiências femininas e a importância da narrativa compartilhada.

Ingressos e Informações Práticas

Para aqueles que desejam assistir a “Urucum – As Árvores Não Têm Culpa”, as informações são:

  • Sinopse: A protagonista, presa em uma casa que já não reflete sua identidade, busca respostas nas histórias de sua família para encontrar seu próprio caminho de liberdade.
  • Duração: 60 minutos.
  • Classificação etária: Recomendado para maiores de 12 anos.
  • Quando: 20 e 21 de março de 2026 – sexta-feira às 20h, sábado às 19h.
  • Onde: Sesc Santo André – Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André/SP.
  • Capacidade: 100 lugares. Estacionamento: Pago no local. Acessibilidade física: Sim.
  • Ingressos: R$50,00 (inteira), R$25,00 (meia), R$15,00 (Credencial Plena). Link para compra: https://www.sescsp.org.br/programacao/urucum-as-arvores-nao-tem-culpa/

Assim, “Urucum” se apresenta não apenas como um espetáculo teatral, mas como um veículo de reflexão e transformação social, buscando proporcionar uma experiência que ressoe na vida de cada espectador.



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